A evolução da telinha

Numa das conversas acaloradas que tivemos aqui na produtora, dia desses, discutimos quanto tempo a tv como a conhecemos ainda é capaz de sobreviver. A estimativa de vida da caixinha que virou tela plana foi diferente para cada um de nós e poucos aqui acreditam que um dia ela realmente irá morrer, mas um ponto de vista lançado na roda foi unânime;  estamos assistindo de camarote a sua transformação.

Não é novidade nenhuma dizer que a “culpada” por essa revolução transformadora é a internet e todas as tecnologias atreladas a ela. Foi a rede quem vitimou as locadoras de vídeo do seu bairro, extinguiu aquela prateleira com discos de vinil do seu pai e quando você começava a se orgulhar daquela coleção completa de cd’s da sua banda de punk rock favorita (que algumas pessoas confundem como marca de roupas) o fez se sentir dando mosh no chão, tamanho a surpresa quando percebeu que o cd também tinha “morrido”.

Mas diferente da indústria da música e o colapso que as gravadoras viveram anos atrás com a popularização do .mp3 em que a qualidade do formato era e ainda é muito pior que o produto original, a qualidade das produções realizadas para serem exibidas diretamente para internet são excelentes e melhoram a cada dia. Tem pra todos os gostos, cultura pop, maquiagem, culinária, dicas de mecânica, sketches de humor e até  aulas de mandarim. A lista de assuntos só cresce, assim como os donos dos canais de conteúdo que saem dos seus empregos comuns para dar atenção full time a sua nova função de criador, empreendedor, apresentador, tornando-se empresas de sucesso e até celebridades, sondadas mais tarde pelos próprios canais da televisão.

youtubers

Youtubers -Programação diária/semanal de qualidade.

Na tv os moldes que deram certo no passado são repetidos a exaustão e as novidades que pintam por aqui, são importadas de outros países. Além disso, a criatividade dos canais abertos da tv parece ter deixado de existir. Hoje em dia é dificil de ser surpreendido por algo divertido, inteligente e de qualidade. Parece também que nenhum canal de tv acredita que os brasileiros são capazes de consumir histórias inteligentes, daquelas que não entregam mastigadinho o que está por vir. Nada faz pensar, não instiga. Quem aí já não soube o que estava pra acontecer numa novela ou numa mini-série só vendo o comercial? É nesse sentido que a evolução deve acontecer. A qualidade atrai público, gera burburinho nas redes sociais e como consequência, pontos no Ibope.

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“Tá no ar”. Exemplo de inteligência na tv aberta.

Mesmo incomodada pelo Youtube ou pela Netflix e agora pela HBO (que passou a liberar todo seu excelente conteúdo via streaming a $15,00 nos EUA e que deve chegar por aqui em breve) sabemos que a tv brasileira ainda é muito forte e como se sabe bem, é capaz de mudar até os rumos da nossa nação, mas de fato precisa mudar. Preste atenção ao seu redor, se você tem hoje um filho ou um sobrinho de três a cinco anos de idade, deve saber que a Peppa, o Pocoyo e a Galinha Pintadinha, na maioria das vezes e sem generalizar, são assistidos no Ipad dos pais ou dos tios via youtube. São pesquisados no Google, um episódio atrás do outro, sem lá, muita paciência pra esperar o próximo chegar. Adicione 15 anos a essa criançada e se pergunte: Crescendo nos dias de hoje, assistindo a seus programas favoritos dessa maneira, será mesmo que a tv assim como a conhecemos ainda vai durar? A revolução já começou e parece que não está mais no controle remoto, migrou pra um simples movimento do mouse… ou nem isso, só com a ponta do dedo mesmo. Resta saber se o pensamento das emissoras também irá evoluir.

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